terça-feira, 26 de outubro de 2010
O Prazer de Ler na Escola
“ (...) O artista é aquela pessoa que sente que dentro da matéria bruta há uma beleza que a transcende”.
( Rubem Alves)
Leitura e formação do Gosto e a Literatura Infantil
O caráter histórico da literatura perdura até hoje e tem sido um dos responsáveis pelo registro da evolução das sociedades, sem que se abandone, no entanto, a visão de Literatura como arte da palavra.
Deve-se levar em conta que, O gosto (como sabor, ou prazer) pela leitura, em especial a da literatura, não é um dado que provém de forma natural da humanidade, imutável e acabado, pois, sua formação tem relação com as necessidades , como o tempo e com o espaço em que se movimentam pessoas nas interações sociais. Nesse sentido, caberá ao educador na sala de aula desenvolver o hábito de leitura, na criança, no jovem, e ser o mediador no processo de ensino aprendizagem sob o ângulo da formação do gosto, do desejo para que a criança tenha a convicção de que, na sua formação como leitor, “(...)seu gosto traz marcas do aprendizado de leitura, a partir da exposição, desde muito cedo, aos produtos da indústria cultural e ao contexto social em que vive.” ( MAGNANI, 1989, p.102)
Como sabemos, o homem é um ser sensível, emociona-se, reflete, pensa. Já que vive em constante transformação... Enquanto sujeito, ele investiga sua inteligência, buscando novas linguagens como veículos de expressão. Com isso, desejou ser mágico para transformar a matéria em outra diferente; desejou tornar o sonho realidade; desejou criar beleza para encontrar prazer; desejou conhecer a si mesmo para ter a consciência do que é e do que poderá vir a ser enquanto cidadão. Para tanto, desenvolver a descoberta do gosto e prazer na leitura numa perspectiva que produza a circulação do Conhecimento, é fundamental para que haja a interação social e mediação para a transformação histórica e cultural do ser humano. Enfim, o educador deverá escolher o caminho da descoberta para aprimorar a formação do gosto, do desejo na criança, pois, é essencial deixar a criança descobrir com suas potencialidades o caminho da linguagem Oral, para ingressá-la na leitura e no mundo Literário. Portanto, é importante que a criança perceba no gosto da leitura um mundo, como uma paisagem, e tenha a consciência ao transformá-la.
.... A seguir reflita este maravilhoso poema de Cecília Meireles,
“ Alheias e nossas
As palavras voam.
Bando de borboletas multicolores,
As palavras voam
Bando azul e andorinhas,
Bando de gaivotas brancas,
As palavras voam.
Voam as palavras
Como águias imensas.
Como escuros morcegos
Como negros abutres,
As palavras voam.
Oh! Alto e baixo
Em cima de círculos e retas
Acima de nós, em redor de nós
As palavras voam.
E às vezes pousam.
( Cecília Meireles)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
"Reinações de Narizinho"
Esta obra literária infantil foi escrita pelo primeiro escritor brasileiro a se dedicar às crianças, Monteiro Lobato. O livro é composto por capítulos, onde Lobato resgata a infância em sua pureza mais criativa, destaca o folclore nacional, aprimora os eixos familiares- e apresenta seus principais personagens, mostrando que seu sítio representa, no plano imaginário, um mundo paralelo de referências à cultura popular e espaço de utopia: nele não há lugar para o autoritarismo, paterno e político. É um livro infantil que serve de propulsor à série protagonizada no sítio do Picapau Amarelo.
Os títulos dos capítulos retratam as características de seus personagens, onde a matriarca D. Benta, representa a cultura humanística e seus valores de liberdade e tolerância. Oposto à ela encontra-se a tia Anastácia que encarna o folclore popular de origen africana, nativa, e mais, sua arte culinária que reforça seu estereótipo de mucama. O visconde de sabugosa está associado ao cientificismo, enquanto que a boneca Emília seria o espírito sem freios, a liberdade. O casal de primos Pedrinho e Narizinho são personagens submetidas às manifestações do mundo real e do imaginário. Vale sublinhar que, visconde de Sabugosa tornou-se um dos personagens-símbolo da obra de Monteiro Lobato.
Além disso, nota-se nesta literatura a fusão de personagens de outras origens como Peter Pan, O Pequeno Polegar, Hércules, D. Quixote e outros. No entanto, são todos de passagem neste espaço transitório e mágico que é o Sítio do Picapau Amarelo. É um belíssimo livro infantil, criativo, emocionante, que proporciona à criança o exercício da imaginação, exemplos de moral e traços do nosso folclore, recompensa e encanta o leitor com a sensação de estar diante de uma obra de rara originalidade com a força da arte literária.
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