terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bibliografia de Lygia Bojunga

LYGIA BOJUNGA  

Escritora brasileira, escreveu inicialmente os seus livros sob o nome Lygia Bojunga Nunes. Nasceu em Pelotas no dia 26 de agosto de 1932 e cresceu numa fazenda. Aos oito anos de idade foi para o Rio de Janeiro onde em 1951 se tornou atriz numa companhia de teatro que viajava pelo interior do Brasil. A predominância do analfabetismo que presenciou nessas viagens levou-a a fundar uma escola para crianças pobres do interior, que dirigiu durante cinco anos. Trabalhou durante muito tempo para o rádio e a televisão, antes de debutar como escritora de livros infantis em 1972.
Num continente que se tornou conhecido por seu realismo mágico e contos fantásticos, a literatura infantil brasileira caracteriza-se por uma acentuada transgressão dos limites entre a fantasia e a realidade. Lygia Bojunga é uma escritora que perpetuou esta tradição e a tornou perfeita. Para ela, o quotidiano está repleto de magia: onde brotam os desejos tão pesados que literalmente não é possível erguê-los, onde alfinetes e guarda-chuvas conversam tão obviamente como os peões e as bolas, onde animais vivem vidas tão variadas e vulneráveis como as pessoas. Imperceptivelmente, o concreto da realidade transforma-se noutra coisa, não num outro mundo, mas num mundo dentro do mundo dos sentidos, onde a linha entre o possível é tão difusa como fácil de ultrapassar. A tristeza vive com Bojunga juntamente com o conforto, a calma alegria com a estonteante aventura e no centro da fantasia da escrita está a criança, muitas vezes sozinha e abandonada, sempre sensível, sempre cheia de fantasias. A morte não é tabu, a desilusão também não, mas além da próxima esquina, espera a cura. Numa prosa lírica e marcante, pinta as suas imagens e não importa se a solidão é muito amarga, há sempre um sorriso que expressa uma compaixão com os mais pequenos, que nunca se torna sentimental.
Obras:
  • Os Colegas - 1972
  • Angélica - 1975
  • A Bolsa Amarela - 1976
  • A Casa da Madrinha - 1978
  • Corda Bamba - 1979
  • O Sofá Estampado - 1980
  • Tchau - 1984
  • O Meu Amigo Pintor - 1987
  • Nós Três - 1987
  • Livro, um Encontro - 1988
  • Fazendo Ana Paz - 1991
  • Paisagem - 1992
  • Seis Vezes Lucas - 1995
  • O Abraço - 1995
  • Feito à Mão - 1996
  • A Cama - 1999
  • O Rio e Eu - 1999
  • Retratos de Carolina - 2002
  • A Bolsa Amarela - 2005
  • Aula de Inglês - 2006
  • Sapato de Salto - 2006
  • Dos Vinte 1 - 2007

Prêmios (seleção)

Tchau (Ligia Bojunga Nunes)




A história se resume no conflito familiar. Rebeca, a filha mais velha do casal vivencia desde do inicio da separação dos pais, onde a mãe recebe um buque em sua casa e dentro há um cartão, a  menina muito curiosa aproveita a oportunidade em que a mãe atende a ligação de um estrangeiro para dá uma rapida olhadinha no cartão e logo vê a assinatura: Nikos. A mãe parecia muito feliz e ao mesmo tempo sem graça com sua filha, arrumou as flores sem nem olhar para o lado.

Rebeca sai para fazer compras com sua mãe, e a mãe propõe fazer um passeio logo em seguida na beira do mar. Andaram sobre a areia, a menina sempre muito descontraida, olhando sempre para trás para vê as marcas dos pés na areia. A mãe ja cansada convida Rebeca para descansar; sentadas a mãe começa a contar que esta a um passo de se separar do pai, conta que já estão em crise a algum tempo, desde o nascimento de Donatelo, a menina fica perdida quando sua mãe diz que não ama mais seu pai, que não sabe conviver no meio de tantas brigas e ausência de seu marido e que vai embora para o exterior com outro homem.Rebeca vê a tristeza de seu pai, inconformada com a decisão da mãe promete para o pai que irá fazer a mãe desistir da decisão, ai vem a parte engraçada da história, já no final do conto quando a mãe está indo embora e Rebeca puxa a mala impedindo-a de sair:
Rebeca aproveitou para se agarrar na mala de um jeito que pra mãe levantar a mala ia ter que levantar a Rebeca também
E outra vez a buzina tocou.
A mãe abriu o olho ( parecia que a tonteira tinha passado), disse:
- Tchau. - E saiu correndo.

O Pai volta tarde e encontra um bilhete no travesseiro:

Querido pai

Não deu para eu cumprir a promessa, a mãe foi mesmo embora.
Mas a mala dela ficou. E eu acho que assim, sem mala, sem roupa pra tocar, sem escova de dente nem nada, não vai dar para a mãe ficar muito tempo sem voltar. Não sei. Vamos ver.
Eu arrastei a mala e escondi ela debaixo da sua cama, viu?
Um beijo da
Rebeca.



 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

literatura infantil

O Prazer de Ler na Escola



              


                                        “ (...) O artista é aquela pessoa que sente que dentro da matéria bruta  há uma beleza que a transcende”.
( Rubem Alves)

Leitura e formação do Gosto e a Literatura Infantil
O caráter histórico da literatura perdura até hoje e tem sido um dos responsáveis pelo registro da evolução das sociedades, sem que se abandone, no entanto, a visão de Literatura como arte da palavra.
Deve-se levar em conta que, O gosto (como sabor, ou prazer) pela leitura, em especial a da literatura, não é um dado que provém de forma natural da humanidade, imutável e acabado, pois, sua formação tem relação com as necessidades , como o tempo e com o espaço em que se movimentam pessoas nas interações sociais. Nesse sentido, caberá ao educador na sala de aula desenvolver o hábito de leitura, na criança, no jovem, e ser o mediador no processo de ensino aprendizagem sob o ângulo da formação do gosto, do desejo para que a criança tenha a convicção de que, na sua formação como leitor, “(...)seu gosto traz marcas do aprendizado de leitura, a partir da exposição, desde muito cedo, aos produtos da indústria cultural e ao contexto social em que vive.” ( MAGNANI, 1989, p.102)
Como sabemos, o homem é um ser sensível, emociona-se, reflete, pensa.  Já que vive em constante transformação... Enquanto sujeito, ele investiga sua inteligência, buscando novas linguagens como veículos de expressão. Com isso, desejou ser mágico para transformar a matéria em outra diferente; desejou tornar o sonho realidade; desejou criar beleza para encontrar prazer; desejou conhecer a si mesmo para ter a consciência do que é e do que poderá vir a ser enquanto cidadão. Para tanto, desenvolver a descoberta do gosto e prazer na leitura numa perspectiva que produza a circulação do Conhecimento, é fundamental para que haja a  interação social e  mediação para a transformação histórica e cultural do ser humano. Enfim, o educador deverá escolher o caminho da descoberta para aprimorar a formação do gosto, do desejo na criança, pois, é essencial deixar  a criança descobrir com suas potencialidades o caminho da linguagem Oral,  para ingressá-la na leitura e no mundo Literário. Portanto, é importante que a criança perceba no gosto da leitura um mundo, como uma paisagem, e tenha a consciência ao transformá-la.
.... A seguir reflita este maravilhoso poema de Cecília Meireles,
                               
                                     “ Alheias e nossas
                                     As palavras voam.
                                       Bando de borboletas multicolores,
                                       As palavras voam
                                        Bando azul e andorinhas,
                                         Bando de gaivotas brancas,
                                        As palavras voam.
                                           Voam as palavras
                                          Como águias imensas.
                                          Como escuros morcegos
                                           Como negros abutres,
                                           As palavras voam.
                                          Oh! Alto e baixo
                                        Em cima de círculos e retas
                                        Acima de nós, em redor de nós
                                         As palavras voam.
                                        E às vezes pousam.
                               
                                                     
                                                         ( Cecília Meireles)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Reinações de Narizinho"



    Esta obra literária infantil foi escrita pelo primeiro escritor brasileiro a se dedicar às crianças, Monteiro Lobato. O livro é composto por capítulos, onde Lobato resgata a infância em sua pureza mais criativa, destaca o folclore nacional, aprimora os eixos familiares- e apresenta seus principais personagens, mostrando que seu sítio representa, no plano imaginário, um mundo paralelo de referências à cultura popular e espaço de utopia: nele não há lugar para o autoritarismo, paterno e político. É um livro infantil que serve de propulsor à série protagonizada no sítio do Picapau Amarelo.
   Os títulos dos capítulos retratam as características de seus personagens, onde a matriarca D. Benta, representa a cultura humanística e seus valores de liberdade e tolerância. Oposto à ela encontra-se a tia Anastácia que encarna o folclore popular de origen africana, nativa, e mais, sua  arte culinária que reforça seu estereótipo de mucama. O visconde de sabugosa está associado ao cientificismo, enquanto que a boneca Emília seria o espírito sem freios, a liberdade. O casal de primos Pedrinho e Narizinho são personagens submetidas às manifestações do mundo real e do imaginário. Vale sublinhar que, visconde de Sabugosa tornou-se um dos personagens-símbolo da obra de Monteiro Lobato.
   Além disso, nota-se nesta literatura a fusão de personagens de outras origens como Peter Pan, O Pequeno Polegar, Hércules, D. Quixote e outros. No entanto, são todos de passagem neste espaço transitório e mágico que é o Sítio do Picapau Amarelo. É um belíssimo livro infantil, criativo, emocionante, que proporciona à criança o exercício da imaginação, exemplos de moral e traços do nosso folclore, recompensa e encanta o leitor com a sensação de estar diante de uma obra de rara originalidade com a força da arte literária.